Publicado por: Assembléia de Deus - Quarta Parada | 11/05/2011

Os Desafios do Paganismo Moderno, pelo Pr. Esdras Bentho


Um alerta contra a espiritualidade difusa e pagã

O neopaganismo é um termo que descreve uma variedade de credos e religiosidades que, com roupagem moderna, cultuam a natureza, valorizam os mitos e as divindades pagãs da Antiguidade e da Idade Média. É o antigo paganismo destituído de seus rituais ofensivos ao homem pós-moderno. A diferença entre o neopaganismo e o paganismo tradicional pode ser visto na imagem das bruxas populares. Antes, feia, nariguda, velha, enrugada e verrugosa. Agora, bela, educada e jovem – como aparecem na mídia e na indústria de entretenimento. O neopaganismo também é conhecido nos meios de comunicação pelo nome de Wicca. São politeístas, praticam a feitiçaria, valorizam o horóscopo, cultuam a natureza e as pretensas divindades femininas. Atualmente, as ideias neopagãs são difundidas através dos desenhos animados, dos filmes e das revistas como a Witch (bruxa, em inglês – esta revista é destinada a crianças de 8 a 13 anos).

O Neopaganismo e a indústria de entretenimento

Ron Rhodes, com muita propriedade, acusa a indústria de entretenimento americana de colaborar com a divulgação do neopaganismo. Alerta o autor, que muitos filmes e desenhos que tratam de bruxaria e satanismo tem a participação direta de pessoas ligadas ao ocultismo. No Brasil, nesses últimos meses, uma avalanche de filmes espíritas e mediúnicos tem invadido os lares e as salas de cinema do país. Ron Rhodes faz uma síntese dos principais programas, filmes e séries que divulgam e cultuam o espiritismo. O autor afirma que “as produções de Hollywood têm introduzido muitas pessoas ao mundo paranormal” (p.28).

A cultura, os mitos, as lendas e os folclores pagãos tornaram-se um instrumento de entretenimento nos tempos pós-modernos. Não apenas de divertimento, mas também de riquezas. Basicamente, o mercado de vídeo games e filmes hollywoodianos faturam milhões de dólares em temas que misturam paganismo, religião oriental, gnosticismo e cristianismo. Senhor dos Anéis e Matrix são alguns exemplos entre os filmes, e God of  War, um exemplo entre os muitos jogos neopagãos que mais sucesso faz entre os aficionados por video game. Todavia, a qualidade das produções contrasta com a mensagem e os valores difundidos. George Lucas, afirmou que “o cinema e a televisão suplantaram a igreja como grandes comunicadores de valores e crenças”. E, infelizmente, essa proposição mostrou-se verdadeira.

A indústria de entretenimento costuma dar uma nova roupagem aos mitos antigos, como por exemplo, a velha bruxa é muito diferente daquelas apresentadas no seriado Charmed, ou da beleza de Nicole Kidman e Sandra Bullock no filme Da magia à sedução (Practical Magic,1998). A imagem dos demônios como seres maléficos, opostos aos homens e dispostos a oprimir a humanidade, é inteiramente alterada no filme Hellboy. O demônio é convocado do inferno e depois “civilizado”, aprendendo a respeitar e amar os homens – uma ideologia perniciosa. Spawn, o soldado do inferno, era um agente da CIA, que após ser morto, vai para o inferno e negocia com o diabo para retornar ao mundo dos vivos. Nesta mesma linha encontramos os filmes que enaltecem o espiritismo, a mediunidade e os supostos fenômenos paranormais.

Os cristãos, portanto, são chamados à reflexão, ao discernimento da cultura midiática e televisiva. Algumas vezes a mensagem ideológica transmitida pela indústria de entretenimento é tão crassa que facilmente o cristão rejeita, entretanto, muitas ideologias religiosas, espiritualismo pagão e distorções da verdade bíblica são apresentadas de modo sutil e imperceptível ao observador desatento. Algumas vezes, necessita-se de mais de uma leitura para compreender todos os símbolos, sinais rituais, e ideologias. Matrix, por exemplo, é um desses filmes que mistura filosofia, símbolos religiosos, mitologia e cristianismo. Uma leitura adequada somente é possível àqueles que conhecem religiões comparadas, história da religião, cristianismo, teoria gnóstica e Jung.

O neopaganismo e os heróis

Os heróis, que tanto fascinam crianças e adultos, são distorções da imagem divina no homem e personagens antropocêntricos. A figura dos heróis, anti-heróis e vilões são (a meu ver), representações possíveis do super-homem de Nietzsche, ideologias que atestam a potência humana, o deísmo, ateísmo, evolucionismo e a sociedade pós-cristã. O religioso apenas aparece como elemento pós-cristão, dissociado de Deus, de Cristo, das Escrituras. Alguns mais humanos e outros mais poderosos, no entanto, a temática e ideologia são a mesma: Deus não intervém na vida e história humanas, os homens, como seres evoluídos e super-poderosos, são responsáveis pelo seu próprio destino, progresso e vontades. A moral, mediante a qual os heróis agem, carece da autoridade de Cristo, são (in) valores relativos, circunstanciais e centrados no humanismo antropocêntrico. No mundo dos heróis e vilões, Deus é um personagem anacrônico, distante, substituído pelo conceito do Bem que, longe de ser metafísico, é uma realidade metamórfica sujeita ao talante das circunstâncias e à disposição dos heróis.

Religiosidade, Pluralismo e Neopaganismo

O neopaganismo se manifesta como um conjunto de religiosidades, sincretismo, misticismo e ocultismo. Em um mundo plural e multicultural, o paganismo ressurgiu com nova roupagem: eclético, não ofensivo à estética e ao racionalismo modernos. Trata-se, na verdade, de nova estratégia do misticismo pagão para difundir suas ideologias, doutrinas, ritos e ocultismo. Fala-se de paz, mas ignora-se o Príncipe da Paz, Cristo; ensina ecologia, mas é eco-idolatria, é mística, porém dissociada da verdadeira espiritualidade cristã. Essas religiosidades são produtos da fé cega, irracional, de caráter hedonista e antropocêntrica. A salvação é intrapessoal, está dentro da pessoa, e não extrapessoal, fora dela, como se dependesse de outro para tal; é gnóstica. A paz está na harmonia entre o homem e a natureza, no controle psíquico e nos exercícios corporais que equilibram e sintonizam o homem ao cosmo. Suas rezas e petições são mantras, isto é, encantamentos que materializam a divindade invocada. São engodos de religiões vetustas, anticristãs e marginais que se adequaram às necessidades da sociedade pós-cristã. É um novo sincretismo, mas de realidade e natureza contrárias a Cristo.

A verdade por trás do neopaganismo

O neopaganismo, neologismo usado para se referir às roupagens modernas do antigo paganismo, é uma falsa religiosidade que tem combatido o cristianismo e seduzido a sociedade hodierna. Todavia, o neopaganismo é uma religiosidade que usa máscaras para atrair os seus adeptos e afastar o homem do verdadeiro Deus.

Desde a Antiguidade hebraica, o povo eleito foi advertido, exortado e admoestado contra os cultos pagãos egípcios, canaanitas, assírios, babilônicos entre outros (Dt 12.2,3,29-32, etc.). Israel, a nação eleita e preciosa, inúmeras vezes, apesar das advertências dos profetas, sucumbiu ao culto da fertilidade e a outras manifestações do paganismo gentio (Jz 2.11-14, etc.) Infelizmente, o povo era seduzido pela orgia dos cultos da fertilidade. Em nossa obra, A Família no Antigo Testamento: história e sociologia (CPAD, 2006), ocupamos um capítulo do livro para explicar esses rituais pagãos pelo que, solicito ao leitor que busque nesta obra os elementos exegéticos e históricos necessários à compreensão do tema. Os elementos mais comuns ao paganismo antigo eram: a liberação sexual e a homossexualidade praticada nos cultos orgiásticos; o sacrifício de infantes, como gratidão pela colheita; adoração à natureza, mediunidade; crença que os espíritos dos mortos intervêm no mundo dos vivos; idolatria, e o uso de substâncias psicotrópicas para entrar em êxtase ou transe. Essa é a verdadeira origem e face do neopaganismo.

Jerônimo Savonarola e o neopaganismo da Renascença

Jerônimo Savonarola (1452-1498), o “Sócrates de Ferrara”, para os cultos e o “profeta de Deus”, para a grande massa, criticou a sociedade europeia no momento em que ela preferia os poetas em vez dos teólogos, a Grécia em vez de Jerusalém, os ídolos no lugar de Deus. Crítico mordaz de Lourenço, o Magnífico; profeta contra os pecados da famosa Florença, foi um opositor da Renascença que trouxera as novas religiões, os novos cultos e o neopaganismo.

E.Garin, em sua obra, “O renascimento”, afirma que Savonarola viu “os deuses antigos, que povoavam o céu dos astrólogos, os quadros dos pintores e os versos dos poetas como expressões perigosas duma sutil superstição” (Porto: Telos, 1972, p.129). Savonarola opôs-se tenazmente aos projetos humanistas e renascentistas que procuravam retornar à idade clássica, resgatando as mitologias, cultura e deuses greco-romanos.

Savonarola questionara a dissolvência do sagrado e o surgimento de um “sagrado” afastado da revelação divina. Quais deuses regressam quando a revelação bíblica desaparece? Savonarola via a Divina Comédia de Dante como uma profanação à verdadeira revelação bíblica. Embora, culto, letrado (litteris latinis et graecis eruditissimus), não suportava a poesia que distorcia a natureza e os atributos de Deus; os artistas que sacralizavam, através de suas pinturas, os deuses pagãos. Para Savonarola a Escritura é mais forte do que a palavra dos poetas e a arte dos pintores. José Augusto Mourão, prefaciador português da obra de Savonarola, cita a respeito do “grande teólogo”, a expressão de Mestre Eckhardt: “Encoleriza-o o fato que se entronizem Platão, Aristóteles e Ovídio nos altares e que os pregadores tenham fechado o livro da Escritura e em seu lugar tenham colocado os filósofos e poetas pagãos” (A função da poesia. Vega, 1993, p.17).

Fonte: CPAD News


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